5 marcos da trajetória de Luiz Mott, o decano do ativismo LGBT

Antropólogo, que completa 80 anos, faz história no País há quase 5 décadas

Publicado em 06/05/2026
Luiz Mott, ativista gay
Radicado em Salvador desde fim da década de 1970, Mott é pioneiro no País

Nesta quarta-feira 6 celebra-se os 80 anos do antropólogo, historiador e pesquisador Luiz Mott, o decano do movimento homossexual e depois LGBT brasileiro.

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Nascido em São Paulo e formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP), Mott tem um largo currículo acadêmico, que inclui mestrado em Etnologia na principal universidade de Paris, a Sorbonne.

Na vida pessoal, sempre percebeu a atração pelo mesmo sexo, teve várias experiências nesse sentido, mas, como tantos e tantas, viveu casamento heterossexual por acreditar que conseguiria ser feliz assim.

Da união de cinco anos, nasceram duas filhas e uma certeza: era realmente gay e não poderia fugir mais disso.

A década de 1970 se aproximava do fim e o então chamado movimento homossexual nascia no Brasil. Ativismo e Luiz Mott se amalgaram em uma única célula e nunca mais se pôde falar de um sem citar o outro.

Nos últimos 46 anos foram muitas as conquistas e o pionerismo desse paulistano radicado há décadas em Salvador. Para celebrar o aniversário desse que é um dos maiores nomes do ativismo LGBT no ocidente, o Guia Gay listou momentos de grande importância protagonizados por Mott. 

Fundador da entidade LGBT mais longeva do Brasil

Nascido em 1980, o Grupo Gay da Bahia, ou apenas GGB, é a ONG LGBT mais antiga ainda em atividade.

Hoje presidido por Marcelo Cerqueira, o GGB mantém Mott como presidente de honra e tem sede no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador.

A luta contra a discriminação a pessoas LGBT e a prevenção do HIV são dois dos pilares da entidade que também celebra as conquistas da comunidade tendo criado o mais antigo prêmio LGBT do País, o Triângulo Rosa, em 1991, para as pessoas e ações de destaque neste segmento.

Lista de mortes de LGBT

Um ranking polêmico e que ganha repercussão no mundo todo é o de mortes violentas de pessoas LGBT.

Trata-se de compilação de dados extraídos da imprensa feita desde 1980 por Mott e publicada a partir de 1982.

Estudo, que serve de base para inúmeros outros, é divulgado anualmente.

A primeira vítima de homofobia no Brasil

Descoberto e nomeado por Mott, Tibira do Maranhão teria sido o primeiro gay morto por homofobia no Brasil.

Acredita-se que o assassinato tenha ocorrido entre 1613 e 1614 em São Luís (MA) quando seu corpo foi amarrado na boca de um canhão.

Mott baseou-se em texto escrito pelo frade francês Yves d'Évreux chamado "Viagem ao Norte do Brasil feita nos anos 1613 e 1614", época em que seu país natal colonizou o Maranhão.

Tibira do Maranhão descoberto por Luiz Mott
Mott junto ao monumento a Tibira, em São Luís

Xica Manicongo

Veio também pelos estudos do decano, a que é chamada como primeira travesti da história do Brasil.

Xica era escrava africana e viveu em Salvador na segunda metade do século XVI.

Foi um dos primeiros casos documentados de alguém acusado de se vestir como "sodomita passivo" e descoberto por Mott na década de 1990.

Nos anos 2000, o movimento trans entendeu o personagem como travesti, o que foi aceito por Mott.

Xica foi tema de enredo da Paraíso do Tuiuti, no carnaval carioca de 2025, que miseravalmente não deu créditos a Mott.

Rosa Egipcíaca

Em 1993, Mott lançou a biografia Rosa Egipcíaca: Uma Santa Africana no Brasil, sobre Rosa Maria Egipcíaca (1719-1771).

Nascida no Benim, Rosa foi a primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil.

Trazida aos seis anos ao Brasil, ele foi escrava doméstica no Rio de Janeiro e depois submetida à prostituição em Minas Gerais.

Após uma enfermidade aos 30 anos, doou os bens que havia acumulado e começou a ter visões místicas.

Escreveu Sagrada Teologia do Amor Divino das Almas Peregrinas depois de aprender a ler, foi presa pela Inquisição e mandada a Portugal.

Rosa Egipcíaca

 


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