Nesta quarta-feira 6 celebra-se os 80 anos do antropólogo, historiador e pesquisador Luiz Mott, o decano do movimento homossexual e depois LGBT brasileiro.
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Nascido em São Paulo e formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP), Mott tem um largo currículo acadêmico, que inclui mestrado em Etnologia na principal universidade de Paris, a Sorbonne.
Na vida pessoal, sempre percebeu a atração pelo mesmo sexo, teve várias experiências nesse sentido, mas, como tantos e tantas, viveu casamento heterossexual por acreditar que conseguiria ser feliz assim.
Da união de cinco anos, nasceram duas filhas e uma certeza: era realmente gay e não poderia fugir mais disso.
A década de 1970 se aproximava do fim e o então chamado movimento homossexual nascia no Brasil. Ativismo e Luiz Mott se amalgaram em uma única célula e nunca mais se pôde falar de um sem citar o outro.
Nos últimos 46 anos foram muitas as conquistas e o pionerismo desse paulistano radicado há décadas em Salvador. Para celebrar o aniversário desse que é um dos maiores nomes do ativismo LGBT no ocidente, o Guia Gay listou momentos de grande importância protagonizados por Mott.
Fundador da entidade LGBT mais longeva do Brasil
Nascido em 1980, o Grupo Gay da Bahia, ou apenas GGB, é a ONG LGBT mais antiga ainda em atividade.
Hoje presidido por Marcelo Cerqueira, o GGB mantém Mott como presidente de honra e tem sede no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador.
A luta contra a discriminação a pessoas LGBT e a prevenção do HIV são dois dos pilares da entidade que também celebra as conquistas da comunidade tendo criado o mais antigo prêmio LGBT do País, o Triângulo Rosa, em 1991, para as pessoas e ações de destaque neste segmento.
Lista de mortes de LGBT
Um ranking polêmico e que ganha repercussão no mundo todo é o de mortes violentas de pessoas LGBT.
Trata-se de compilação de dados extraídos da imprensa feita desde 1980 por Mott e publicada a partir de 1982.
Estudo, que serve de base para inúmeros outros, é divulgado anualmente.
A primeira vítima de homofobia no Brasil
Descoberto e nomeado por Mott, Tibira do Maranhão teria sido o primeiro gay morto por homofobia no Brasil.
Acredita-se que o assassinato tenha ocorrido entre 1613 e 1614 em São Luís (MA) quando seu corpo foi amarrado na boca de um canhão.
Mott baseou-se em texto escrito pelo frade francês Yves d'Évreux chamado "Viagem ao Norte do Brasil feita nos anos 1613 e 1614", época em que seu país natal colonizou o Maranhão.
Xica Manicongo
Veio também pelos estudos do decano, a que é chamada como primeira travesti da história do Brasil.
Xica era escrava africana e viveu em Salvador na segunda metade do século XVI.
Foi um dos primeiros casos documentados de alguém acusado de se vestir como "sodomita passivo" e descoberto por Mott na década de 1990.
Nos anos 2000, o movimento trans entendeu o personagem como travesti, o que foi aceito por Mott.
Xica foi tema de enredo da Paraíso do Tuiuti, no carnaval carioca de 2025, que miseravalmente não deu créditos a Mott.
Rosa Egipcíaca
Em 1993, Mott lançou a biografia Rosa Egipcíaca: Uma Santa Africana no Brasil, sobre Rosa Maria Egipcíaca (1719-1771).
Nascida no Benim, Rosa foi a primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil.
Trazida aos seis anos ao Brasil, ele foi escrava doméstica no Rio de Janeiro e depois submetida à prostituição em Minas Gerais.
Após uma enfermidade aos 30 anos, doou os bens que havia acumulado e começou a ter visões místicas.
Escreveu Sagrada Teologia do Amor Divino das Almas Peregrinas depois de aprender a ler, foi presa pela Inquisição e mandada a Portugal.