Um gay e um bi falam de scat, prazer sexual com fezes e urina

Responsáveis pelo blog Quero Scat falam sobre como descobriram o desejo e venceram o tabu sobre essa prática

Publicado em 23/04/2019
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Eles substituíram a culpa por gostar da prática pelo prazer e pelo reconhecimento de que é algo apenas incomum

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Por Gustavo e Renan Ryuji

O sexo é uma das coisas mais gostosas que existem, mas nem sempre é tão fácil de entender as diferentes vontades, fetiches e fantasias sexuais que existem por aí.

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Coloque na lista das práticas mais incompreendidas a coprofilia (também conhecida pela palavra scat - do inglês scatology (escatologia), que é a excitação sexual com excrementos, aí fezes, urina (golden shower ou chuva dourada), gases, vômito e afins. 

Para os seus adeptos, os scaters, o que não cheira nada bem é o preconceito. No caso, não o fato de alguém não possuir tal ligação com excrementos, mas sim o de julgar de forma pejorativa quem a tem. 

Para desmitificar o scat, falar dos cuidados na prática e ajudar na autoaceitação de quem tem esse tesão, dois scaters e responsáveis pelo blog QueroScat falam sobre suas trajetórias e felicidade ao se permitirem entregar-se a algo que ainda é tabu, mas está longe de ser algo tão raro como muitas pessoas imaginam. 

E por que decidiram fazer o blog, que também aborda heterossexualidade? Gustavo responde: “O site é verdadeiro ponto de encontro de quem gosta ou pretende descobrir o scat e são carentes de informações, experiências sobre o tema e, claro, um bom pornô."

Tem mais: “A maior mensagem que gostaríamos de passar é que sendo seguro, consensual, prazeroso e dentro da lei, todas as práticas são válidas. Pois não há nada pior do que viver sexualmente reprimido”. 

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Gustavo, 24 anos, bissexual
“Era 2007 e eu já tinha lá meus 13 anos de idade quando surgiu o clássico vídeo 2 Girls 1 Cup. O divisor de águas na minha vida. Este é um vídeo pornô onde uma mulher dá bela evacuada em um copo e fica se deliciando com a merda na boca, mastigando-a e beijando a outra garota.

Na época, ele se tornou um viral, e um amigo meu comentou comigo sobre o tal vídeo bizarro. Confesso que não foi amor à primeira vista - inclusive pela parte do vômito, não curto -, mas a curiosidade e o tesão me despertaram algo muito além do nojo.

Anos depois, descobri os significados dos fetiches e suas siglas. Tudo foi um pouco frustrante e confuso por parecer estar sozinho neste mundo. Scat não é popular. Scat na verdade é um fetiche escondido, sobre o qual a sociedade ou não comenta ou, se comenta, é em 90% das vezes para julgar e falar mal. É um fetiche tabu absurdo.

Eu não sou hipócrita de falar que é algo normal, cotidiano. Não é. Mas eu não ligo pra isso, de verdade. Para mim, é como se eu pudesse aproveitar o sexo ao extremo. Eu amo fazer sexo oral e a sensação de receber uma mijada na boca nessa hora é como se 'transbordasse buceta'. Posso sentir o gosto e sua temperatura literalmente escorrendo e envolvendo ainda mais. É apenas isso.

Por se tratar de algo dito nojento e repulsivo pela grande maioria das pessoas, achava que eu tinha ficado louco ao passar a gostar daquilo, e sentia muito culpa sempre que eu me masturbava vendo vídeos ou brincando com meu próprio cocô. Porém depois de alguns anos fui entendendo que não era nada tão anormal, mas apenas incomum."

Renan Ryuji, 30 anos, gay
"Comecei a me interessar pelo assunto pela internet. Fui me deixando levar pelo tesão e deixando de lado o peso na consciência. Acredito que o tesão se concentre em alguns pontos específicos. Elenco:

a) algo que a maioria das pessoas tem repulsa vira para nós scaters forma de prazer diferente pela descoberta de apreciar o que foi rejeitado pelo outro, o mistério de descobrir o que é esse novo objeto;

b) o ato de ir banheiro fazer o nº 2, por exemplo, é sempre feito sozinho e dentro de total privacidade. Poder ver a outra pessoa durante esse ato e dividir esse momento de mistério talvez instigue o prazer e o tesão;

c) os odores também acho que provoquem os sentidos e potencializam o desejo, a maioria dos scaters tem grande prazer por estes cheiros talvez pelo mesmo motivo do primeiro ponto citado: o desconhecido daquilo que normalmente é recusado. 

Ainda que seja muito prazeroso, é preciso ter em mente que o scat deve levar em considerações algumas questões de saúde, em especial aos que são eaters (que comem cocô): é interessante estar sempre com as doses de medicamentos antiparasitários em dia, visitando médicos regularmente para que eles os receitem. Não aconselho a automedicação."

Caso queira conhecer o QueroScat.blogspot.com.br e tenha mais de 18 anos de idade, clique aqui. 


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