Após 188 anos, PM de São Paulo tem 1º policial transexual

Soldado Henrique Lunardi fez pedido à corporação em 2017 para ser reconhecido pelo gênero masculino

Publicado em 18/04/2019
Policial militar transexual Henrique Lunardi
Policial fez pedido de reconhecimento de sua identidade baseado em lei estadual

Corporação criada em 1831, a Polícia Militar do Estado de São Paulo tem seu primeiro agente transexual.

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"Eu entrei como mulher. Eu não sabia das questões transgênero. Eu não sabia sobre transição, nada a respeito. Então eu não sabia que era trans", contou Emanoel Henrique Lunardi Ferreira, ao G1.

O soldado Henrique trabalha em Ituverava, região de Ribeirão Preto, no interior paulista. Ele entrou na PM em 2015 como mulher. No ano passado, a PM atendeu seu pedido - feito em 2017- e o reconheceu como um policial do gênero masculino.

À reportagem, o soldado, de 24 anos, contou que na adolescência se assumiu homossexual. Há três anos, Henrique procurou ajuda psicológica pois não entendia porque seu corpo de mulher o incomodava tanto. Durante a terapia descobriu transexual.

"A Polícia Militar tem 188 anos e este é o primeiro caso de transexual. Temos casos de homossexuais na PM, mas de transexual é o primeiro caso", afirmou a capitã Cláudia Lança, chefe de comunicação social da PM em Franca.

"A PM, com isso, deseja mostrar que está aberta, sim, a acolher e a receber pessoas com identidades de gêneros diferente, com opções sexuais diversas."

Antes de procurar a PM, o soldado afirma que teve medo de revelar sua identidade de gênero e ser expulso. Quando soube que tem direitos, Henrique baseou seu pedido em lei estadual que exige que pessoas trans sejam sejam tratadas pelo nome social e reconhecidas pelo gênero que se identificam em todas as repartições públicas paulistas.

Enquanto a policia militar analisava seu caso, o soldado começou tratamento hormonal (em 2017) e à mastectomia - cirirugia de retirada  dos seios (em 2018).

Também no ano passado, Henrique foi até à cidade em que nasceu, Iracema do Oeste (PR), para alterar nome e gênero na certidão de nascimento.

À reportagem, o policial conta que seu nome foi escolhido junto com a mãe. "Mãe, vamos decidir meu nome? Como se estivesse nascendo alguém de novo. Isso foi muito bacana porque ela precisou ver a filha dela morrer para nascer o filho", relembrou. "Eu coloquei Emanoel, que é o masculino do meu antigo nome, porque minha mãe pediu. E pus Henrique porque era um nome com o qual eu me identificava."


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